ETFs de Defesa Europeia em 2026: Como Investir no Rearme
Rearme europeu dispara ETFs de defesa +58% em 2024. Quais os ETFs disponíveis no DEGIRO e Trading 212, exemplos com números reais e como declarar no IRS 2026.
ETFs de Defesa Europeia em 2026: Como Investir no Rearme do Continente
O conflito no Irão, a guerra na Ucrânia e as exigências de Donald Trump para que os aliados da NATO gastem 5% do PIB em defesa criaram uma das tendências sectoriais mais fortes dos últimos dois anos na bolsa europeia. Em março de 2026, empresas suecas de defesa, minas e tecnologia militar estão a fazer mira a Portugal como destino de parceria e investimento — sinal de que o rearme deixou de ser especulação e é agora uma realidade industrial.
Para o investidor português de retalho, a questão prática é simples: como obter exposição a este sector, quais os ETFs disponíveis nos brokers habituais, e o que muda no IRS 2026?
Por que a Defesa Europeia Voltou ao Radar dos Investidores
Durante décadas, os governos europeus reduziram progressivamente os orçamentos de defesa. A Alemanha chegou a gastar menos de 1,3% do PIB em 2020. O pacifismo pós-Guerra Fria foi cómodo enquanto os EUA garantiam o guarda-chuva de segurança.
Esse modelo colapsou. A invasão russa da Ucrânia em 2022, seguida do conflito Irão-Israel que reabriu o Estreito de Ormuz em 2025-2026, forçou uma reavaliação estrutural. Os dados mais recentes mostram:
- Alemanha: 2,1% do PIB em defesa (2026) — acima do mínimo NATO pela primeira vez em décadas
- Polónia: 4,2% do PIB — o maior gasto relativo na Europa
- Portugal: 1,8% do PIB — ainda abaixo dos 2% exigidos pela NATO, com pressão crescente para subir
- Suécia (recém-admitida na NATO): 2,4% do PIB, com empresas como Saab e FLIR a expandir para mercados do sul da Europa
O orçamento total de defesa europeu passou de cerca de 200 mil milhões de euros em 2020 para mais de 320 mil milhões em 2025. A tendência é estrutural: os governos assinaram contratos plurianuais que criam visibilidade de receitas para as empresas do sector.
Os ETFs de Defesa Disponíveis em DEGIRO e Trading 212
O investidor português tem acesso a vários ETFs de defesa através dos brokers mais populares. Os principais são:
VanEck Defense ETF (DFEN)
- ISIN: IE000YYE6WK9
- Bolsa: Euronext Amsterdam (XAMS)
- TER: 0,55%
- Exposição: ~30 empresas globais de defesa, aeroespacial e segurança — BAE Systems, Rheinmetall, Leonardo, Saab
- Disponível em: DEGIRO (bolsa XAMS), Trading 212
HANetf Future of Defence ETF (ASWC)
- ISIN: IE0002L7HX71
- Bolsa: London Stock Exchange / Xetra
- TER: 0,49%
- Exposição: Empresas da NATO e aliados — ponderado por gasto em defesa do país de origem. 40%+ em empresas europeias
- Disponível em: Trading 212
Invesco European Aerospace & Defence (DFNS)
- ISIN: IE0002PG6CA6
- Bolsa: Xetra
- TER: 0,19%
- Exposição: Exclusivamente europeia — Airbus, Rheinmetall, BAE Systems, Leonardo, Thales, KNDS
- Disponível em: DEGIRO (bolsa XETR)
O DFNS da Invesco é o mais relevante para quem acredita especificamente no rearme europeu: foca-se nas empresas que mais directamente beneficiam do aumento de orçamentos dos governos da UE e NATO, com um TER competitivo de 0,19%.
Performance Recente: Os Números
Os ETFs de defesa foram dos activos com melhor performance em 2024 e 2025 na Europa. O índice subjacente ao HANetf ASWC subiu cerca de 58% em 2024 (em EUR). O VanEck DFEN, lançado em 2023, ganhou mais de 35% desde o início.
Para contextualizar: o MSCI World em EUR subiu aproximadamente 18% em 2024. Os ETFs de defesa europeia quase triplicaram esse retorno num único ano.
Atenção: retornos passados não garantem retornos futuros. O sector esteve suprimido durante 20 anos, o que em parte explica a recuperação acelerada. Entrar hoje implica pagar múltiplos já muito mais elevados do que em 2022.
Exemplo Prático: Como Construir Exposição de 5.000 €
Suponha que o investidor João, residente em Portugal, decide alocar 5.000 € ao sector de defesa através do DEGIRO.
Compra em janeiro de 2025:
- ETF: Invesco DFNS, cotado em Xetra a 9,20 €/unidade
- Quantidade: 543 unidades (≈ 4.995,60 €)
- Comissão DEGIRO: 3 € (bolsa Xetra)
- Custo de aquisição total: 4.998,60 €
Venda hipotética em janeiro de 2026 (após +35%):
- Cotação: 12,42 €/unidade
- Proceeds brutos: 543 × 12,42 = 6.744,06 €
- Comissão venda: 3 €
- Proceeds líquidos: 6.741,06 €
Cálculo da mais-valia (FIFO):
- Mais-valia bruta: 6.741,06 − 4.998,60 = 1.742,46 €
- Taxa liberatória IRS 2026 (art.º 72.º CIRS): 28%
- Imposto a pagar: 487,89 €
- Ganho líquido de imposto: 1.254,57 € (+25,1% sobre o capital investido)
Este ETF é negociado em EUR na Xetra, o que elimina risco cambial directo. No IRS, declara-se em Anexo J (Quadro 9, rendimentos da Categoria G — mais-valias de instrumentos financeiros estrangeiros).
Se quiser calcular automaticamente a sua situação com FIFO real e gerar o XML para o Portal das Finanças, pode carregar o seu CSV do DEGIRO aqui.
Riscos Específicos do Sector
Risco político: A guerra termina, os governos aliviam os orçamentos. Aconteceu após cada conflito do século XX. O investidor que comprar com o sector em máximos pode ficar preso durante anos.
Concentração sectorial: Os ETFs de defesa têm 30-50 empresas, muito menos diversificadas do que um MSCI World com 1.500+. Uma má encomenda governamental ou um escândalo de contrato afecta significativamente os índices sectoriais.
Risco de valuations: A Rheinmetall negociava a 8× EV/EBITDA em 2022 e passou para 25× em 2025. Entrar hoje exige convicção nos fundamentais a longo prazo, não apenas na narrativa geopolítica.
Risco ESG: Alguns investidores e plataformas impõem filtros ESG que excluem defesa. Verifique se o seu broker tem restrições — em particular contas de investimento responsável ou carteiras geridas.
Risco cambial indirecto: Mesmo com ETF cotado em EUR, a maioria das receitas das empresas de defesa americanas está em USD. A valorização do euro face ao dólar reduz os resultados consolidados.
Fiscalidade IRS 2026: Mais-Valias de ETFs de Defesa
O tratamento fiscal é idêntico ao de qualquer outro ETF de acumulação estrangeiro. Pontos críticos:
Regra FIFO obrigatória (art.º 43.º CIRS): Se comprou o mesmo ETF em datas diferentes, as primeiras unidades compradas são as primeiras a ser vendidas para efeito de cálculo de ganho/perda. Mantenha o registo de todas as transacções com data, quantidade e preço em EUR.
ETF de acumulação vs. distribuição: ETFs de acumulação não distribuem dividendos — não há tributação até vender. ETFs de distribuição geram dividendos tributados a 28% no ano em que são pagos, declarados em Quadro 8 (Anexo J).
Residência dos ETFs: VanEck DFEN e Invesco DFNS são domiciliados na Irlanda (UCITS). O país de tributação é Portugal; a retenção na fonte em dividendos na Irlanda é 0% para UCITS. Não há dupla tributação relevante a créditar no IRS.
Englobamento: Se o rendimento total tributável (incluindo as mais-valias) colocar o investidor num escalão inferior a 28%, pode valer a pena englobar. Para salários acima de ~36.000 € anuais, a taxa marginal excede 37% — nesse caso, a taxa liberatória de 28% é preferível.
Para calcular automaticamente se englobar compensa no seu caso, use o simulador de englobamento.
O que Esperar em 2026
O ciclo geopolítico que impulsionou os ETFs de defesa não desapareceu. O conflito no Irão mantém o prémio de risco elevado, a NATO pressiona Portugal e Espanha (ambos abaixo dos 2% do PIB), e empresas suecas como a Saab continuam a expandir para o sul europeu — incluindo Portugal — à procura de parcerias industriais e contratos de manutenção.
O investidor que queira exposição ao sector tem hoje mais opções e mais liquidez do que em qualquer ponto da última década. O risco está em confundir uma narrativa poderosa com um preço de entrada razoável. Como em qualquer investimento sectorial, a diversificação continua a ser a protecção mais barata disponível.
O IRSInvestimentos é uma ferramenta de cálculo auxiliar. Não constitui aconselhamento fiscal ou financeiro. Verifique sempre os valores calculados antes de submeter a sua declaração. O utilizador é o único responsável pela correcta declaração dos seus rendimentos.